sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A Décima Letra

Eu dei as costas para o meu medo e se quer saber, me dei muito bem. Bom, comprei aquelas asas da promoção e foi uma bela aquisição. Houve um problema, porém. Levava em minhas costas peso demais e acabou que meu voo durou bem pouquinho. Tive eu que botar pra fora muita coisa.

Guardei tudo naquele quarto vazio logo depois da curva. Botei uma cadeira de balanço e me sentei para observar tudo aquilo que estava deixando para trás. Me perguntei como eu pude manter tudo aquilo comigo.

Passadas umas boas horas, caí em mim e voltei pra fora. Havia uma montanha muito alta. Mais alta que meus sonhos. Mais alta que o céu. Andei tanto para chegar ao topo que minhas pernas viraram pó. Pó mesmo, areia. Pelo menos deu tempo de me sentar no topo.

Olhei pro mundo da mesma forma como havia olhado para o tal quarto cheio de lembranças. De lá de cima vi tudo o que os homens fazem. Toda a dor que causam. Todos os problemas que criam.

Rastejei, então, para o fim dos tempos. Não pulei, pois não tinha pernas, mas caí morro abaixo. Rolei por semanas e quando cheguei ao fim, encontrei o que procurava.

Por muitas vezes você anda, anda, anda e quando pensa não haver mais esperança, uma mão aparece para te salvar.

sábado, 6 de novembro de 2010

10

Tem caído muita coisa do meu céu.

Tem chovido muito no meu peito.

Tem sobrado espaço aqui por perto.

Tem mil coisas que não queria ter feito.

Tem sorriso que me faz querer viver.

Tem beijos que me tiram o ar.

Tem carinhos que não posso ter.

Tem amores que preciso dar.

Tem o medo de não mais viver.

Tem vontade de talvez morrer.

Tem quem diga que eu sou metade.

E que meu outro lado é você.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

24/8

Oito dias por semana.
Me pergunto se seria o bastante.
Bom... ofereço o meu melhor, dou-te o que posso e que não posso e em troca, não espero nada.
Faz-me bem só de viver.
E se tem como explicar, é porque é frágil e falso demais.
Sabe-se, porém, que é totalmente verdadeiro quando as palavras faltam e é de seus olhos que saem a explicação mais básica.
Sim... falo do meu amor.
E é ele que entrego dia após dia. É ele quem me faz sorrir e até chorar, pois se não há lágrimas e dor, não há superação e assim ficaríamos presos no espaço/tempo e nada se transformaria.
Digo isso porque me transformei por causa de seu sorriso e do abrigo que me cedeu.
Me transformei pela esperança que me apresentou e por todas as broncas que me deu.
E é agora, distante de seu amor, que me vejo em terceira pessoa.
Olho para meu rosto fraco, paro e reparo que o que me falta é justamente você.
Mas se o céu insiste em me dizer que é assim, não vou irei contrariar.
Ouço nesses oito dias semanais um anjo me dizer ao pé do ouvido: "Calma".
Calma eu hei de ter. E enquanto me acalmo, fico por aqui.
Sentado à sombra da árvore que plantou pra mim, observando seus passos e te amando de longe.
Pois é amor, mesmo sem toque. É amor mesmo sem presença.
É amor porque é amor.